quinta-feira, 19 de março de 2009

Desejo???

Começo a vislumbrar a luz
Começo a sentir que algo que me aquece
Começo a perder os sentidos
e todo o meu corpo todo esmorece

Começo a perder as estribeiras
Começo a não ter para onde ir
Começo a pensar por mim própria
no ensejo de apenas fugir

Que tudo na vida é um sopro
Então que seja tudo querer
no sucumbir de mais um triunfo
Apenas almejo o prazer

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Cri du Coeur

A vida mais não é que um "cri du coeur"...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Não me sinto feliz...

Não me sinto feliz, a infinidade dos dias persegue-me, tudo à minha volta parece cinzento e sem sentido. Não me sinto bem, sinto-me aqui e além, sem vontade de fazer nada. Nem sei o que dizer, pois que a vida não me ensina nada novo. O caminho é sempre a direito, não vejo o pó atrás. Sigo sozinha, sem destino, para onde quer que vá...

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Para ti...

eu sei que tu não vais nunca ler isto. No entanto, fica aqui a minha mensagem de final de ano para mim em relação a ti...

"Quanto a mim, o amor passou.
Eu só te peço que não faças como gente vulgar
E não me voltes a cara quando passo por ti.
Nem tenhas de mim uma recordação em que entre rancor.
Fiquemos um perante o outro como dois conhecidos desde da infância,
que se amaram um pouco quando meninos,
e, embora, na vida adulta sigam outras afeições conservam, no caminho da alma, a memória do seu amor antigo e inútil..."

(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Depois dos "trintas" ou a "Estrangeira"

Não pertenço à tribo nem quero dela fazer parte. Tento fugir a cada dia que passa às regras que me são impostas pela própria comunidade, seja ela a "comunidade" família, "comunidade" trabalho ou até mesmo a "comunidade" amigos...
Depois dos "trintas" são-nos impostos determinados tipos de comportamento por estas ditas "comunidades", os quais devem ser cumpridos como "lei". Até aos vinte e poucos somos pressionados para estudar e ter uma formação académica, depois de tanto estudo é hora de encontrar um bom emprego com um excelente horário e um faustoso salário, entretanto, no trabalho ou fora dele, devemos conhecer alguém (com a mesma formação académica que nós e da simpatia dos nossos pais, de preferência) para constituir família e eventualmente passados dois ou três anos ter o primeiro filho...
Não entendo o porquê de nos deixarmos levar... A verdade é que já não me reconheço com a minha geração. Ou melhor será dizer que, não me identifico com as ideias de alguns dos meus "amigos" e nem mesmo com as esperanças da minha família. Não quero ser nem fazer parte da tribo, quero apenas respirar e fazer o que me dá na real gana(com conta, peso e medida, é claro!). Pois que viver, já por si só, é tão penoso, não quero ser mais uma frustada que vive em função de uma vida irreal e que nunca conseguirá atingir...O melhor será dizer, que o amanhã é já hoje...

domingo, 16 de novembro de 2008

"Blindness"

Este sábado de manhã, aproveitei para ligar a televisão e enquanto fazia "zapping" vi pequenos exertos de duas entrevistas do escritor José Saramago, uma de Junho de 1987 e outra de Abril de 1995. Esta última foi dada logo após a publicação do seu livro "Ensaio sobre a Cegueira", o que vem a propósito uma vez que neste momento está em exibição o filme "Blindness" adaptado do mesmo.
Vários estudiosos da obra de José Saramago falaram não só do livro em questão como de outros livros que, também eles, são símbolos da literatura portuguesa, como é o caso de "Memorial do Convento", "Evangelho Segundo Jesus Cristo" e o "Ano da Morte de Ricardo Reis".
Sou uma "saramagista" assumida, admito. No entanto, quer-se odeie ou quer se ame, a verdade é que ele, até hoje, é o único prémio Nobel português da Literatura. Nas suas entrevistas não se identificou como sendo um romancista, apenas escreve quando tem algo para dizer. As suas personagens encarnam a "vida" e encarregam-se de falar de algumas das suas preocupações sociais.
Todos nós sabemos das escolhas políticas do escritor e do interesse em que este tem de expôr a realidade do mundo em que vivemos. No entanto, e ao contrário do que escreve Ricardo Reis, não nos devemos contentar em saber que a sabedoria de cada um de nós esteja em assistir ao espetáculo do Mundo.
O livro "Ensaio sobre a Cegueira" é uma das provas do que acabei de referir. Fala daqueles que vêem sem ver, daqueles que cegam sem cegar, dos que vivem sem viver...Fala-nos da falta de solidariedade, do individualismo, da solidão das multidões, do nosso lado mais animalesco, da nossa capacidade instintiva de sobrevivência. Para mim, este livro é o livro de referência da obra de José Saramago e a sua adaptação ao cinema ficou deveras surpreendente. Afinal esta cegueira branca afecta-nos a todos e como diria José Saramago no seu livro "Memorial do Convento" "O homem só será feliz quando todos os homens forem reis e todas as mulheres rainhas"...

domingo, 2 de novembro de 2008

Memórias

Há que deixar a vida tomar seu curso...
Há que saber perder e ganhar.
Há que escapar a situações,
Há que deixar pessoas para trás...
Há encontros que nos são amargos
Existem outros que nos fazem recordar
Que tudo na vida tem seu significado
E é tarde demais para podermos alterar
É viver e deixar passar
Guardar memórias
O que é bom de lembrar...
E sentir que as cicatrizes mais profundas
Um dia, também hão-de sarar...
Tenho-me a mim,
(Não me posso esquecer)
Tenho alguém em quem pensar
Se não fizer as coisas agora
nunca sairei do mesmo lugar
Não quero ser mais uma da tribo
Quero ser a invulgar
Quero fazer algo por mim,
Andar por aí a vaguear
Perder-me por entre as ruas estreitas
Deixar o tempo avançar
Quero andar por aí...
para em cada dia me encontrar
Quero uma vida livre
Quero ser pássaro
e saber não voar
Deitar-me em mil camas
e não ter pressa de acordar
Viver mais uma história de amor
Daquelas que fazem chorar
Sentir tudo,
e no final...
Deixar tudo como estava,
não limpar nem mais um canto
fazer de cada dia uma benção
e encontrar nesta vida,
todo o seu encanto...